Tema: Impactos da cultura do cancelamento no Brasil

      No livro “1984” de George Orwell, é retratado um futuro distópico em que a sociedade, diariamente, passa dois minutos em frente de uma “teletela” para manifestar seu ódio. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Orwell pode ser relacionada ao mundo cibernético do século XXI, uma vez que a população brasileira investe exacerbado tempo diante de celulares e computadores para ofender e “cancelar” outros indivíduos. Desse modo, observa-se que essa forma de manifestação de ódio potencializa a ausência de criticidade coletiva, além de causar impactos psicossociais nas vítimas.

      Primordialmente, deve-se destacar que a cultura de cancelamento contribui com a formação de uma sociedade marcada pela falta de reflexão e pensamento crítico. A esse respeito, o sociólogo alemão Jürgen Habermas, em seu livro “Agir Comunicativo”, afirma que a linguagem é uma forma essencial e transformadora de ação política. Contudo, verifica-se que o linchamento virtual rompe com essa lógica comunicativa, visto que o comportamento autoritário nas redes reprime a troca de opiniões divergentes entre os indivíduos brasileiros, que sentem medo de serem julgados ou “cancelados” por apresentarem seus pontos de vista. Vestígios disso são visíveis nos atuais debates políticos, os quais, apesar de serem essenciais para a construção do senso crítico social, são evitados devido ao seu caráter “cancelador”. Dessa forma, é inadmissível que o julgamento no meio digital impeça a capacidade do indivíduo compreender a pluralidade de opiniões.

      Outrossim, é fulcral pontuar que a cultura de cancelamento provoca prejuízos sociais e emocionais às vítimas. Consoante a esse pensamento, a escritora e psicanalista Sonia Maria defende, em “A comunicação nas redes sociais”, que as pessoas deixaram de ser reconhecidas como indivíduos e passaram a serem vistas, apenas, como perfis, curtidas e comentários digitais. Nessa perspectiva, o fato de os indivíduos perderem suas características humanas no meio tecnológico facilita a violação coletiva, a partir de um discurso de opressão banalizado socialmente que não enxergar a existência um ser vivo do outro lado da tela. Isso pode ser gatilho para uma série de adversidades psicológicas nas vítimas, como a depressão e outros transtornas psicossociais, já que o julgamento imediatista afeta a reputação social do indivíduo e a vida financeira, em caso de pessoas famosas que perdem patrocínio midiático, por exemplo. Assim, é preciso reverter esse cenário tóxico que se alastra na internet - responsável por arruinar a saúde mental dos brasileiros.  

      Portanto, medidas exequíveis são necessárias pra atenuar os efeitos sociais da cultura de cancelamento. Para tanto, é necessário que o Ministério da Educação, órgão governamental responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, em parceria com estudantes universitários do curso de Filosofia, promova “workshops” e oficinas abertas à comunidade em escolas, que auxiliem os participantes na construção do seu pensamento crítico. Isso deverá ocorrer por meio de atividades dinâmicas, a exemplo dos debates, a fim de desenvolver, na sociedade, uma abertura para a troca de diálogo e, consequentemente, o respeito pelo ponto de vista do próximo, posto que essa atitude é fundamental pra garantir o bem-estar psicossocial. Espera-se, assim, que as manifestações retratadas pelo escritor George Orwell pertençam apenas ao plano literário.

Texto de Matheus Macedo

Grupo IFEN de Redação

    O desperdício de alimentos no Brasil

    Séculos atrás, o matemático e estudioso Thomas Malthus previra um futuro catastrófico para a humanidade: segundo ele, em pouco tempo, o tamanho da população superaria a produção mundial de alimentos, gerando uma fome generalizada. Nos dias atuais, sabe-se que Malthus exagerou em suas previsões e, de acordo com pesquisas da FAO, o planeta tem plena capacidade de suprir as necessidades alimentares de cada indivíduo. Conquanto, o desperdício de alimentos no mundo impede que esses sejam distribuídos igualmente. Nesse sentido, é importante discutir o quanto a não diversificação dos modais de transporte no Brasil corrobora com o desperdício, além de como a mentalidade consumista do brasileiro faz com que toneladas de alimentos sejam jogadas fora diariamente.


    Durante o governo de Juscelino Kubitschek - cujo slogan era "50 anos em 5" -, a indústria automobilística finalmente instalou-se no país e, com isso, surgiu a necessidade de ampliação de estradas e rodovias a fim de acomodar o novo fluxo de automóveis. Nesse contexto, o Estado investiu de maneira intensa no modal rodoviário, o que, por certo tempo, proporcionou um bom desenvolvimento ao país. Porém, atualmente, o fato de a economia brasileira ser pautada em praticamente um único modal de transporte constitui um grande gargalo no que tange ao escoamento da produção agrícola. Segundo o programa Fome Zero - iniciativa da UNESCO e do Governo Federal -, a maior parte dos alimentos produzidos no país fica nas estradas, o que demonstra a necessidade da implantação de um sistema intermodal de transporte de produção no Brasil.


    A Revolução Verde, ocorrida em meados do século XX, promoveu mudanças de amplo espectro na indústria de produção de alimentos. Embora o nome leve a crer que essa seria uma Revolução capaz de acabar com a fome no mundo, ocorreu justamente o contrário: a indústria finalmente conseguiu atrelar ideais estéticos aos alimentos, tornando-os mais agradáveis aos olhos sem, contudo, torná-los mais acessíveis. No Brasil, reflexos dessa cultura doentia de consumo estão presentes no grande desperdício de alimentos no país, quando um alimento perfeitamente bom vai para o lixo por não estar mais esteticamente bonito. Assim, torna-se claro que a diminuição do desperdício de alimentos no país depende também de uma mudança de mentalidade do brasileiro.


    Infere-se, portanto, que a questão do desperdício de alimentos no país é grave e deve ser mitigada por diferentes agentes. Primeiro, cabe ao Ministério do Desenvolvimento, em parceria com economistas, diminuir o Custo Brasil da produção agrícola, por meio de investimentos nos moldais de transporte, a exemplo da construção de hidrovias e ferrovias que interliguem os polos de produção aos de distribuição, a fim de diminuir ao máximo a perda de alimentos durante o transporte. Segundo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com programas de combate à fome, a criação de uma campanha denominada “Beleza não põe mesa”, que vise conscientizar os cidadãos acerca da importância de não desperdiçar os alimentos por meio de palestras e aulas públicas. Dessa forma, a cultura do desperdício no Brasil será finalmente suprimida.
 

Nota 980 no simulado Gauss

Texto de Danny Moraes - aprovada

em Medicina na UFOB

 

Tema: "Os prejuízos da crise circense na contemporaneidade brasileira" 

     “O circo tem palhaço, tem, tem todo dia”. No trecho citado, da música “O circo da alegria”, Patati e Patatá evidenciam a felicidade encontrada nas apresentações artísticas circenses, as quais permitem ao espectador a diversão devido à presença memorável do palhaço. Entretanto, tal inquestionável aparição cômica não é mais concreta, já que a crise do circo é tangível na contemporaneidade brasileira, interferindo na progressão de espetáculos. Sob esse viés, essa realidade contribui para a potencialização de diversos prejuízos, dentre os quais, estão: a perda artística e econômica de indivíduos circenses.

     Nessa linha de raciocínio, a existência de prejuízos à cultura nacional é consequência negativa do agravamento da questão. Acerca disso, no pensamento de Arthur Shopenhauer, filosofo alemão, há elucidação da imprescindibilidade do acesso a movimentos artísticos para garantir a integridade social, ao enfatizar que a arte é uma redenção, livra da vontade e, portanto, da dor. Paralelo a isso, a crise circense no Brasil representa um desvinculo da comunidade com manifestações culturais, a qual negligencia o papel inspirador e libertador da arte, já que o circo permite a dissociação da realidade deturpada como recurso para suportá-la. Com desdobramento, a marginalização do circo inviabiliza o desenvolvimento de uma nação vinculada a processos criativos, uma vez que tal produção é inferiorizada nos setores da comunidade. Por conseguinte, os prejuízos à construção da cultura brasileira configuram-se como um dano da decadência circense.

     Outrossim, vê-se que é fulcral pontuar as dificuldades financeiras de famílias dependentes do circo como um dano da adversidade apresentada. Sob esse prisma, as diminuições constantes no número de espectadores nos últimos anos, aliada ao atual período pandêmico, o qual obrigou a suspensão de espetáculos, interferiram, de forma direta, no poder aquisitivo de indivíduos dependentes do sucesso circense e, por consequência, acarretou a carências básicas, a exemplo na obtenção alimentícia e produtos de higiene. Nessa circunstância, as desigualdades já existentes na construção nacional mantêm a comunidade dos circos em um ciclo de luta pela sobrevivência, já que comprometem toda a cadeia de apresentações, liquidando os recursos para suportar a crise. Assim, tal cenário pode ser associado à “Teoria das Instituições Zumbi”, uma vez que, para o sociólogo Zygmunt Bauman, algumas organizações comportam-se como mortos-vivos, já que existem e não cumprem o papel com eficácia.

     Portanto, é imperioso que medidas sejam aplicadas com o intuito de coibir o discurso discorrido. Diante disso, ao Ministério da Comunicação cabe a conscientização social acerca da importância do circo na cultura nacional, por intermédio da mídia engajada, com propagandas que demonstrem a arte como pilar no desenvolvimento social e resgatem o sentimento de solidariedade da população. Par isso, as campanhas devem ser veiculadas em televisão, rádio e internet, uma vez que tais meios atingem uma grande massa e é capaz de moldar comportamentos, com a finalidade de despertar o interesse populacional. Assim, a sociedade mobilizar-se-á quanto à problemática, tarefa indispensável para garantir o sustento de famílias circenses e harmonia social.             

 

Texto de Letícia Kauane

Aluna Isoladas-MED

Colégio e Curso Gauss

Tema: "A cultura do cancelamento e seus efeitos psicossociais no século XXI" 

    A série da Netflix “Anne with an E” aborda, em alguns episódios, o processo de “cancelamento” da protagonista devido a uma exposição de pensamento, no jornal local. De maneira análoga, a veiculação de opiniões e pontos de vista na internet, principal meio informativo nos dias atuais, ampliou a ideia do cancelamento por divergência de discursos e acentuou a animosidade nas relações sociais. Diante disso, o uso da liberdade de expressão sem cautela, nas redes midiáticas, e o medo de ser “cancelado” por emitir um posicionamento diferente refletem a cultura do cancelamento e seus efeitos psicossociais no Século XXI.    

    Em primeiro ponto, destaca-se que, hoje em dia, a internet é vista como “terra de ninguém”, o que tem facilitado a exposição de opiniões sem a avaliação dos efeitos que elas podem gerar. Essa atitude precipitada é retratada pelo escritor Ignácio de Loyola, no conto “A jovem que não quis atravessar a rua”, a partir da análise de que escolhas e consequências andam lado a lado. Isso está atrelado à cultura do cancelamento, visto que a decisão de expor uma opinião ou um julgamento pode ter uma resposta positiva ou negativa, a depender da forma como é transmitida, o que mostra que não ter cuidado com palavras e ações acaba por definir “canceladores” e “cancelados”, de modo que ambos sofrem as consequências sociais e psicológicas de suas escolhas, como tem sido recorrente entre os depoimentos de vários ‘influencers’ brasileiros no Instagram. Com isso, é preciso aliar liberdade de expressão ao respeito pelas diferentes formas de pensar. 

    Em segundo ponto, a falta de confiança e o medo de ter voz na sociedade são efeitos da ‘cultura do cancelamento’ no país. Essa situação contradiz a própria dialética de Sócrates, a qual identifica os questionamentos e o diálogo como essenciais para a formação do ser humano. Nessa concepção, no atual contexto de vivência, o medo do diálogo diz respeito ao receio do cancelamento, já que a ‘militância’ sem fundamento é cada vez mais comum nas ralações interpessoais, de forma que estar sujeito ao erro é uma característica humana pouco aceita pelo “tribunal da mídia”, o que tem abalado o psicológico de muitos brasileiros.

    Entende-se, portanto, que os cuidados com o que se faz, diz e expõe nas redes, além da cautela com a saúde mental do outro, precisam prevalecer contra o cancelamento, no Brasil. Para concretizar esse combate, é necessário que o Ministério da Educação(MEC), junto às grandes plataformas digitais, veicule normas de comunicação, as quais garantam tanto a liberdade de expressão quanto o compromisso com o que é exposto, por meio de “posts” e termos de segurança nas redes sociais, com o fito de “cancelar o cancelamento ”.Assim, casos de exclusão social e insegurança serão mitigados, de maneira similar ao que ocorre na série “Anne with an E”.

 

Texto de Dalara Louise

Aluna Pré-MED

980 na redação do ENEM

Colégio e Curso Gauss

Tema: "O acesso à internet no ambiente escolar como um direito" 

    O documentário “Pro dia nascer feliz” retrata as dificuldades que estudantes de vários municípios enfrentam para frequentar e se manter nas escolas. Fora da obra, situações como essa são comuns na realidade brasileira, pois o acesso à educação ainda é um desafio para muitos no Brasil. Nesse sentindo, a utilização da internet no ambiente escolar seria uma forma de garantir uma democratização do ensino. Entretanto, muitas instituições carecem de estrutura para promover esse processo.

    Deve-se destacar, inicialmente, que a criação que a criação do Ministério da Educação, durante a Era Vargas, promoveu a popularização do ensino no país. Porém, ao analisar a sociedade atual ,observa -se que milhões de brasileiros encontram-se fora das escolas, por inúmeros fatores que impedem essa frequência, sendo assim, a adesão à internet no âmbito escolar seria uma alternativa para evitar essa evasão. Nessa perspectiva, com base no artigo 205 da Constituição Federal, o qual garante a educação como direito de todos, a utilização dessa rede promoveria o acesso ao ensino para aqueles que moram distantes, além de ser uma maneira mais interativa e próxima da realidade de muitos alunos. Assim, projetos educacionais com a participação da internet são importantes.

    Entretanto, apesar dos benefícios que a internet e os meios digitais podem oferecer, nota -se que a utilização dessa metodologia ainda é escassa no ambiente escolar, visto que muitas instituições carecem de programas de banda larga e locais estruturados para oferecer esse tipo de ensino, além da falta de orientação sobre o funcionamento desse sistema, o que dificulta o acesso à educação , de forma integral, no país. Desse modo, esse cenário contraria o princípio aristotélico, o qual  afirma que todos possuem, por natureza, o direito de aprender e, por isso, ações voltadas para ampliação do uso da internet na rede educacional são necessárias para garantir a democratização do ensino no Brasil.
    Infere-se, portanto, que atuação do Estado está diretamente relacionada com a carência utilização da internet no ambiente escolar. Dessa forma, cabe ao Governo Federal, em parceria com empresas telefônicas, elaborar projetos de ampliação da banda larga nos municípios, com o fornecimento de uma rede específica para as instituições educacionais, por meio da instalação de postos de serviços telefônicos direcionados às escolas públicas urbanas e rurais, a fim de garantir maior velocidade e qualidade à internet para utilização dos estudantes. Em paralelo a isso, o Ministério da Educação, órgão responsável por regularizar o sistema de ensino do país, deve aumentar os investimentos na área tecnológica, com a disponibilização de ambiente estruturado, através de computadores, projetores e programas de realidade avançada, para que o acesso ao ensino seja facilitado.

Texto de Ana Carla

Aluna Pré-MED

Colégio e Curso Gauss

Tema: "O tabagismo na sociedade brasileira"
 

      No século XVI, com o advento da expansão marítima, os espanhóis descobriram os efeitos da nicotina, o que fez os europeus começarem a comercializar esse produto que rapidamente se popularizou para o mundo todo. Com o passar dos anos, evidenciaram-se aspectos execráveis relacionados ao hábito de fumar, apesar de que esse ainda é um costume muito disseminado entre os brasileiros. Nesse ínterim, entre as razões para a persistência do tabagismo estão a criação de um produto ideológico em torno do tabaco e a inserção do adolescente no grupo consumidor do cigarro.

    O consumo da nicotina é estimulado pela idealização dessa droga. Nesse contexto, a 1ª Guerra Mundial ampliou o mercado consumidor do cigarro com a inserção da mulher no mercado de trabalho, e o cinema francês rapidamente se apropriou da imagem da mulher fumante nas insinuações de duplo sentido. Com a "Belle Epóque", essa abordagem disseminou o ideal de que fumar é sexy, elegante e atraente, e criar esse produto ideológico acerca do tabagismo pode ter sido a causa para o aumento alarmante e exponencial do público consumidor dessa droga no século XIX. Portanto, o discurso midiático alimenta a idealização do fumo através da sua capacidade de criar padrões.

    Ademais, o acesso que os jovens ainda têm a essa droga prejudica a extinção do tabagismo no país. A tese de Nicolau Maquiavel defende que o "virtuoso" dos indivíduos é derrubado pelo objeto de sua paixão. Analogamente, hoje é perceptível a influência social dos outros sobre os adolescentes no que tange ao interesse no tabagismo, já que tal uso entre amigos e familiares pode exercer pressão sobre eles. Prova disso é a atual popularização, sobretudo em grupo de jovens, do uso de narguilé, produto que muitas vezes utiliza o tabaco aromatizado - substância mais atraente para os mais jovens. Assim, percebe-se que devido à imaturidade característica da idade, é fundamental distanciar o adolescente do contato com essa droga.

     Em suma, a influência da mídia e o uso adolescente da nicotina são fatores que perpetuam a presença do tabagismo na sociedade brasileira. Para dirimir essa problemática, cabe à mídia incentivar bons hábitos, ao gerar padrões saudáveis com o intuito de deixar de influenciar os telespectadores a consumir o cigarro. Para isso, deve-se evitar personagens fumantes em séries e filmes ou inserir caráter moralizante quanto a esse hábito nas produções. Outrossim, é fundamental que o Governo, em consonância com as escolas, empenhe mais atitudes de combate às drogas para o público juvenil ao fortalecer propostas que já existem, como o PROERD, a fim de diminuir o alcance dessa droga entre os jovens. Dessarte, o tabagismo tornar-se-á um problema cada vez mais distante.

Texto de Sarah Sayonara

Ex-aluna do 3º ano do Ensino Médio
Aprovada em Medicina na UFOB com 980 na Redação

Colégio e Curso Gauss

TEMA:

"Desafios da Educação a Distância no Brasil"

   No ano de 1904, um curso de datilografia foi viabilizado no Jornal do Brasil, marco do início da educação a distância no Brasil. Hodiernamente, essa forma de ensino foi amparada pelo meio virtual e possui crescimento acelerado, contudo, melhorias ainda são necessárias para que esse sistema apresente eficácia. Diante dessa explanação, infere-se que a fixação desse modelo possui empecilhos devido aos recursos desproporcionais em consonância com a frágil fiscalização no desenvolvimento das aulas.

   Mormente, a centralização de ferramentas nas mãos de uma minoria corrobora a inconsistência do ensino a distância no Brasil. Na visão literária de Maria Coralina de Jesus, em seu livro "O quarto de despejo", percebe-se a desigualdade social sofrida por inúmeros brasileiros e o frágil acesso à educação. Nesse viés, nota-se que, com a aplicabilidade do ensino virtual, reduzir-se-iam as fronteiras da aprendizagem às classes menos favorecidas, já que a acessibilidade citada na obra se ampliaria, conquanto a realidade é oposta, como visto nos dados do IBGE em informática, os quais revelam que muitos habitantes não possuem internet, inviabilizando a difusão educacional cibernética. Portanto, enquanto esse abismo social persistir, o aprendizado virtual encontrar-se-á moroso no país.

   Concomitante, a averiguação das condutas mantidas pelos indivíduos no âmbito educacional não possui força. Segundo Edgar Morin, o sistema de educação necessita de uma mudança radical equivalente à instantaneidade e ao grande alcance da informação globalizada. Nessa óptica, o pensamento mencionado teria sucesso nas plataformas digitais, todavia, ações ilícitas são facilitadas quando estão presentes na educação, a exemplo das aulas a distância ocorridas na pandemia do COVID-19, em que o desamparo para fiscalizar proporcionou muitas "colas”, causando uma falsa absorção do conteúdo pelos alunos. Destarte, verifica-se que o progresso premente no campo da educação é retrógrado, motivado pela a fragilidade fiscal.

   Depreende-se, pois, que a vicissitude será mitigada pela a execução de medidas. Em primeiro plano, cabe à sociedade civil organizada arrecadar fundos voltados ao material escolar digital, através de rifas, patrocinadores, doações, com o fito de tornar acessível equipamentos eletrônicos e a internet, além de alcançar o aprendizado – por exemplo, Nelson Mandela que finalizou seu curso por correspondências. Em segundo plano, urge que o Ministério da Educação qualifique seus profissionais às novas maneiras de ensino, mediante aulas de informática e plataformas apropriadas, como o MECflix, criado pelo governo, com efeito de tornar esse método mais confiável e eficiente para os estudos.

 

Texto de Izadora Aparecida

Grupo IFEN de Redação
2020

TEMA:

"A cultura de violência contra os animais"

    Na “Teoria do Habitus”, o sociólogo francês Pierre Bourdieu afirma que a sociedade incorpora uma determinada estrutura social, de modo a neutralizá-la e reproduzi-la. Sob esse espectro, observa-se hodiernamente que a violência contra os animais foi naturalizada no Brasil. Nessa conjuntura, faz-se mister analisar a cultura enraizada bem como a negligência estatal como fatores que coadjuvam para continuidade da problemática em território nacional.

    Em primeira análise, é fulcral pontuar que os maus-tratos aos animais estão solidificados na sociedade. Nessa perspectiva, de acordo com Peter Berger, sociólogo austro-americano, toda realidade social é produto de uma construção humana. Diante de tal contexto, nota-se na cantiga infantil “Atirei o pau no gato, mas o gato não morreu” a normalização de uma atitude antiética, que influencia os indivíduos a violentarem os animais desde a tenra idade. Dessa maneira, acontece a desvalorização do animal como um ser vivo e, consequentemente, a agressão torna-se um produto dessa realidade antagônica.

    Outrossim, é válido ressaltar que o Governo é negligente, no que tange à defesa dos animais. Sob esse prisma, segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir a ordem social. Conquanto, não é o que ocorre, dado que muitos animais, sejam eles domésticos ou silvestres, são violentados e submetidos a ínfimas condições de sobrevivência. Nesse ínterim, tal cenário é inconstitucional, visto que desrespeita o principio de proteção previsto na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, promulgada pela UNESCO em 1978.

    Portanto, é imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao imbróglio abordado. Logo, cabe ao Poder Executivo, representado pelo Ministério do Meio Ambiente – órgão responsável pela proteção dos bichos -, através de verbas governamentais, criar campanhas veiculadas às mídias, que desmitifiquem a cultura de violência aos animais, no intuito de conscientizar a população a não praticar essa ação nefasta. Ademais, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) deve intensificar a fiscalização para identificar e penalizar casos de maus-tratos aos animais. Dessarte, será possível garantir a ordem social e o bem-estar animal no território brasileiro.

 

Texto de Pedro Oliveira

Grupo IFEN de Redação
2020

TEMA:

"Desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil"

   Ludwig Van Beethoven, importante músico alemão, ficou surdo nos últimos anos de sua vida e, ainda assim, continuou a compor peças de música erudita que são escutadas até hoje. Já no Brasil hodierno, embora a problemática da educação inclusiva seja discutida, o acesso de deficientes auditivos ao ensino regular não é assegurado. Com efeito, observam-se aspectos socioeducacionais e políticos como entraves na resolução do problema.

   Em primeiro plano, para que a inclusão ocorra, ela não deve se pautar apenas no "mundo das ideias", conceituado por Platão, mas também no convívio social, do qual Aristóteles afirmou depender o homem. Em vista disso, a criação da Libras, mesmo que garanta aos surdos um código de comunicação, tem sua aplicabilidade cerceada pelo percentual de falantes que, segundo o INEP, está abaixo da metade. Deste modo, professores e colegas permanecem despreparados para conviver com os surdos, uma vez que não dominam sua língua, ainda que ela seja a segunda oficial do país.

   Em segundo plano, é visível que o governo não tem feito sua parte na garantia da formação educacional desse público. Em função disso, as escolas e universidades permanecem sem uma estrutura que viabilize a instrução acadêmica de deficientes auditivos, na ausência de material didático e professores adaptados e intérpretes de Libras em sala. Além disso, a aprovação da PEC que limita os gastos públicos dificulta o investimento na inclusão de alunos surdos, visto que são minorias e a verba disponível já não atende as necessidades das escolas.

   Portanto, embora haja discussões e intenção de garantir a educação de surdos no Brasil, a aplicabilidade dessas ainda não é assegurada. Por isso, é necessário que o Ministério da Educação estabeleça o ensino de Libras nas escolas por meio de sua inclusão no currículo escolar obrigatório desde as séries iniciais, para que a socialização desses portadores de deficiência seja efetivada. Ademais, é mister que o Presidente da República estabeleça a necessidade de fundos maiores à educação nacional, por meio de Medida Provisória que anule o efeito da PEC sobre verbas educacionais, para garantir melhores investimentos na estrutura da educação. Assim, em consonância com as leis de Newton, será possível que a força resultante dessas medidas possa tirar a problemática supracitada da inércia.

 

Texto de Luiz Fonseca

Cursando Medicina na UFOB

980 na Redação do ENEM 2017

Monitor do Curso Gauss

TEMA:

"A democratização do acesso ao cinema no Brasil"

   O “romantismo” foi um movimento literário que possibilitou que mais pessoas tivessem contato com obras, como os folhetins. Entretanto, tornou-se acessível às camadas burguesas da época, hodiernamente, percebe-se semelhança, pois a democratização do acesso ao cinema no Brasil não foi estabelecido em sua totalidade. Nessa perspectiva, dois pontos devem ser elucidados: o baixo investimento do poder público e a elitização do cinema.

   É inegável que o país apresenta baixos níveis de investimento em cinemas por parte do Governo. De acordo com Immanuel Kant, é dever do Estado oferecer ordem, segurança e conforto à sociedade, porém isso não é aplicado no Brasil, já que a ideia de “conforto” não é ofertada para a população. Nessa óptica, é visível que o direito a lazer é negado a diversos brasileiros, principalmente os de baixa renda, que vai em contra mão com o ideário Kantiano, pois não há investimentos governamentais para oferecer o acesso ao cinema e assim fere i direito ao conforto dos cidadãos. Dessa forma, para disponibilizar maior democratização do acesso ao cinema o poder público deve aumentar os investimentos na construção de salas de cinema. 

   Concomitantemente, deve-se destacar que o cinema no Brasil é elitizado, o que agrava a questão da democratização. De acordo Pierre Bourdieu, ao infringir os direitos humanos é tirada a dignidade do indivíduo, certamente vários brasileiros sofrem esse problema, pois infelizmente cidadãos, geralmente de classe baixa, não tem acesso ao cinema. Nesse contexto, é nítido que para ter acesso ao cinema no Brasil é caro (elitizado) e muitas famílias não tem condição financeira para comprar um ingresso, o que infringe os direitos humanos, presente na constituição e consequentemente é tirada a dignidade da família, o que confirma a ideia de Bourdieu. Desse modo, deve-se investir em possibilidades para minimizar a elitização dos cinemas.

   Infere-se, portanto, que medidas para democratizar o acesso ao cinema no Brasil devem ser tomadas. Logo, é dever do Ministério da Cultura em parceira com empresas privadas construam novas salas de cinema, mediante à criação de um fundo financeiro par cada município do país, com prioridade aqueles que ainda não tem as salas para as exibições, a fim de maximizar o acesso ao cinema. Outrossim, cabe ao CRAS (Centro de Referência à Assistência Social) em conjunto com as secretarias de cultura de cada cidade criem um programa que oferte determinado valor às famílias carentes, por meio de uma ficha com todas as atribuições para receber o auxílio para ir ao cinema, com intuito de minimizar a elitização do acesso ao cinema.

 

Texto de Beatriz Lorrany

Ex- aluna IFEN e Gauss

Cursando Medicina na UFOB

960 na Redação do ENEM

Grupo IFEN de Redação

TEMA:

"O aumento das DSTs entre os jovens no Brasil"

   

   “Hoje a tristeza não é passageira / Hoje fiquei com febre a tarde inteira”. Esse é um trecho da música “A via láctea”, de Renato Russo, na qual o cantor – que era portador do vírus HIV- retrata a dor dele e o pessimismo em relação a uma infecção pouco conhecida na década de 90. Na contemporaneidade, mesmo com os avanços científicos que permitiram mais informações sobre as formas de transmissão e prevenção, observa-se o crescimento dos casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) entre os jovens. Diante disso, deve-se analisar como a imprudência juvenil e a omissão social contribuem negativamente para situação.

   Em primeira instância, é primordial avaliar que a irresponsabilidade dos jovens é um entrave nessa problemática. A esse respeito, é notável que, apesar do avanço no tratamento das pessoas com vírus HIV – mesmo sem ainda haver a cura – e da desconstrução do diagnóstico como sentença de morte, há atualmente a inconsequente banalização do uso de preservativos pelos jovens durante o sexo, propiciando a proliferação de DSTs entre eles. Aplica-se, sobre esse contexto, a tese do filósofo Schopenhauer que considerava um erro o homem sacrificar a sua saúde em detrimento de qualquer vantagem momentânea. Logo, é inadmissível que, dispondo de tantas informações e métodos preventivos, ainda ocorra esse retrocesso no combate a tais doenças.

   Além disso, o fato do assunto sexo ainda ser um tabu social é outro agravante nessa questão. Sob essa ótica, a ausência de um diálogo esclarecedor sobre esse assunto, na maioria dos núcleos familiares, ocasiona o início da vida sexual dos jovens de forma imatura e a consequente prática sexual desprevenida. Prova disso é o dado divulgado pelo Ministério da Saúde, no ano de 2016, no qual 6 em cada 10 jovens mantiveram relações sexuais sem proteção. Assim, não é razoável que a inexistência de comunicação, propagada ao longo das gerações, caracterize-se como um empecilho na resolução do impasse.

   Urge, portanto, a necessidade da cooperação de diferentes segmentos sociais para reverter esse quadro. Para isso, as escolas, em parceria com os serviços de saúde dos municípios, devem promover campanha sobre a gravidade do sexo sem proteção, por meio de palestras com profissionais de saúde no ambiente escolar, com objetivo de esclarecer as dúvidas dos jovens. Essas atividades podem ser abertas aos pais, de maneira a incentivar o diálogo familiar e a quebra do tabu existente. Ademais, os canais televisivos precisam abordar essa temática com seriedade, por intermédio das novelas, com personagens adolescentes, de modo a atingir o público-alvo. Dessa forma, é possível modificar o cenário de tristeza retratado, por Renato Russo, na letra musical.

    

Texto de Alan Gomes

Ex- aluno IFEN

960 e 980 na Redação do ENEM

Grupo IFEN de Redação

TEMA:

"O acesso ao saneamento básico no Brasil"

   

   O documentário nacional “A Luta pelo Básico” disserta sobre as transformações econômicas e sociais dos municípios nacionais que conquistaram o serviço de saneamento nos últimos 10 anos. Destoando-se do “final feliz” da obra, grande parte do território brasileiro sofre com a falta de um sistema efetivo, o qual é postergado por uma discrepância legislativa em consonância ao déficit histórico.

Convém ressaltar, primeiramente, o destoar biográfico que o Brasil possui quanto ao saneamento básico. De acordo com a Constituição Cidadã, tal serviço público tornou-se direito humano de sobrevivência desde 1988. Entretanto, a realidade do país se destoa das cláusulas pétreas por conta da fiscalização e regulação excludente, desde o seu cerne, a qual prioriza uma pequena parte da nação por motivos políticos e ideológicos, ratificando uma ostensiva inacessibilidade ao saneamento pela população que vive à mercê do serviço público. Destarte, é necessário recrudescer a universalização garantida em lei, a fim de edulcorar diferenças sociais e sanitárias no Brasil e afirmar o direito básico efetivamente.

   Outro fator agravante é a inanição dos órgãos responsáveis pela efetivação do saneamento básico nacional. Consoante o Instituto Trata Brasil, menos de 30% do dinheiro público investido nesse setor é conivente com as obras feitas. Nesse viés, tem-se uma ineficácia na garantia do direito supracitado advinda da própria ação estatal, a qual atua de forma corrupta e torna nefasta a realidade sanitária, conflagrando apenas fins particulares e pessoais do governantes.

   É imperioso, portanto, que ações sejam tomadas como formas de garantir o direito ao saneamento básico no Brasil. Primeiramente, Cabe ao Ministério da Infraestrutura, por meio da associação com empresas privadas, a destinação de uma parcela do imposto já cobrado já cobrado da sociedade para tal instituto, a fim de obter órgãos focados totalmente na universalização da cláusula pétrea, a exemplo da Odebrecht Ambiental. Por fim, cabe às Secretarias Estaduais de Saneamento, por meio de parceria com o Trata Brasil, a fiscalização regional e presencial, a fim de assegurar a utilização do investimento financeiro e mitigar a corrupção, como ocorre em São Paulo com a Sabesp. Assim, o saneamento básico hodierno ratificará a obra cinematográfica.

    

Texto de Karyane Allen

Aluna Pré- ENEM MED

Duas vezes 980 na Redação do ENEM

Colégio e Curso Gauss

TEMA:

"Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet"

   

   O poema “Os Sapos” de Manoel Bandeira criticou os autores parnasianos durante a Semana da Arte Moderna por produzirem obras com conteúdo e forma repetitivos assim como o incômodo canto dos sapos. De maneira análoga, a internet, importante veículo de informações da contemporaneidade, propõe aos seus usuários um tipo de conteúdo “fixo” baseado em suas escolhas anteriores em virtude do controle de dados. Nesse sentido, tal direcionamento apresenta implicações no âmbito econômico e social, seja por promover um comportamento compulsivo, seja por restringir o acesso a um reduzido número de informações.

   Com o avanço industrial, o Imperialismo foi a principal estratégia das potências mundiais para a expansão do mercado consumidor, através da “neocolonização” de países africanos e asiáticos. Contudo, o surgimento da internet facilitou esse processo à medida que encurtou as distâncias e tornou-se um “Imperialismo digital”, cuja “vantagem” é influenciar o internauta a consumir mercadorias do mesmo segmento acessado por ele em sites e redes sociais. Nessa perspectiva, o controle de dados na web permite exibir propagandas e anúncios que visam o consumo, muitas vezes exagerado, de produtos e conteúdos, a exemplo do que ocorre na rede Youtube, em que vídeos e anúncios semelhantes coexistem propositalmente. Dessa maneira, os interesses econômicos respaldam a manutenção da problemática.

   Ademais, a realidade social também é alvo da manipulação virtual dos indivíduos.  Nesse viés, segundo Aristóteles, a justa medida é uma sabedoria aliada à razão sem a qual não se tem uma visão maniqueísta (bem versus mal) de todas as coisas. Sob a ótica filosófica, a alienação promovida pelo excesso de informação de uma só vertente em detrimento da ampla variedade que a internet pode oferecer impede uma compreensão geral da realidade e a análise crítica da confiabilidade informacional. Diante disso, a navegação virtual é um exercício incompleto da razão na qual o gerenciamento dos algoritmos proporciona opiniões unipolares e carentes de justa medida.

   Infere-se, portanto, que o comportamento dos usuários, mediante o controle de dados, reflete em características prejudiciais à sociedade e necessitam de intervenções. A priori, a Secretaria da Fazenda deve divulgar campanhas na internet que incentivem os usuários a consumirem de modo consciente por meio da análise das propagandas divulgadas pelas empresas no ambiente virtual e a relação com o que já foi acessado, com o efeito de alertar sobre a não coincidência dos acessos e anúncios, a exemplo de sites que promovem a educação financeira como o Clube dos Poupadores. Além disso, cabe ao MEC inserir ao conteúdo programático de sociologia e filosofia o estudo sobre o poder alienante da internet. Só então, o conteúdo virtual não será usufruído de modo repetitivo e “parnasiano”.

    

Texto de Nilma Lorenna

Ex-aluna Gauss, cursando Medicina na UFOB

980 na redação do ENEM

Colégio e Curso Gauss

TEMA:

"Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet"

   

O Imperativo Corrompido

    “Penso, logo existo” foi o imperativo dado pelo filósofo René Descartes para reconhecer a própria existência, pois ele considera que a capacidade de raciocinar caracteriza o ser humano. Entretanto, no hodierno, o raciocínio dos usuários das mídias digitais tem sido comprometido pelo controle de algoritmo de dados, que não permite a liberdade de navegação. Consequentemente, estabelece-se a manutenção da alienação, além da dominação social.

    A priori, a manipulação do acesso à informação interfere na progressão da socialização individual. Acerca disso, Arthur Schopenhauer afirmou que o homem tende a tomar limites do seu campo de visão como as bordas do mundo. Por essa ótica, é evidente que, ao ter sua fonte de notícias limitada, o indivíduo é impedido de expandir sua perspectivas , de maneira que continuará a reproduzir os mesmos preconceitos e opiniões que estabeleceu em sua primeiras socializações. Isso faz com que ele se mantenha em uma “bolha virtual”, sem contato com toda a diversidade de informações. Um instrumento atual para sistematização desse processo é o uso de “rebots” para aplicação de tweets a fim de colocá-los nos “Tranding topics”. Portanto, o controle de dados na internet contribui para a cristalização da alienação.

     A posteriori, a indução ideológica prejudica o exercício da cidadania. Nesse contexto, a manipulação do algoritmo virtual se assemelha à propaganda realizada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, que usava o rádio para propagar apenas bons feitos do “Estado Novo” e encobrir atos de tirania. Naquele período, isso foi fundamental para evitar revoltas populares e, de maneira análoga, a falta do pleno funcionamento da mídia contemporânea aliena aqueles que estão inseridos em “bolhas virtuais”, pois eles obtêm apenas verdades parciais e deixam de ser cidadãos politicamente ativos. Desse modo, esse fenômeno provoca a subserviência popular.

     Em suma, a manipulação dos indivíduos pelo controle do algoritmo virtual alimenta a alienação e aquietação civil. Para dirimir essa problemática, é imperioso que as universidades aliadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia incentivem jovens talentos da informática a criarem formas de democratizar o pleno acesso à informação, por meio da realização de olimpíadas de informática que promovam o desenvolvimento de aplicativos, como algum que possibilite a disseminação aleatória de materiais jornalísticos, ou novas redes sociais que não sigam um padrão algorítmico, com o intuito de disponibilizar uma alternativa para quem queira romper sua “bolha virtual”. Ademais, é mister que organizações de engajamento político, como a UNE – União Nacional Estudantil” e sindicatos, combatam o controle social através da divulgação panfletária de eventos dignos de inquietação popular, com fito de impedir a alienação promovida nessa era digital, pois é pelo capital cultural que se estabelece uma sociedade pensante como a idealizada por Descartes.

    

Texto de Sarah Sayonara

Ex-aluna Gauss, cursando Medicina na UFOB

980 na redação do ENEM

Colégio e Curso Gauss

TEMA:

"Desafios da doação de órgãos no Brasil"

   

      O Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988, revolucionou a saúde pública brasileira, possibilitando que milhares de brasileiros pudessem receber tratamentos e realizar cirurgias gratuitamente, incluindo transplantes. No entanto, a quantidade de doações feitas ainda não é suficiente para que todos os necessitados recebam seus órgãos, o que gera consequências negativas para eles. Nesse viés, surgem os principais desafios da problemática, como a negação familiar e a falta de informação.

    A priori, nota-se a falta de diálogo entre o doador e seus familiares. Segundo Paulo Freire, a conversa cria base para a colaboração. Analogamente, percebe-se que uma significativa parcela populacional, ao decidir doar seus órgãos, não comunica a família acerca de suas vontades. Devido a isso, os responsáveis pelo indivíduo após a morte encefálica muitas vezes não autorizam a retirada dos tecidos para o transplante, contribuindo para o agravamento do estado de saúde daqueles que os receberiam. Por conseguinte, a lista de espera, a qual em 2018 possuía mais de 30000 integrantes (de acordo com a ABTO), continua a crescer, fato que é prejudicial ao sistema público do país. Desse modo, medidas de incentivo à comunicação entre o doador e seu corpo familiar são imprescindíveis para a atenuação da problemática.

      A posteriori, evidencia-se o baixo esclarecimento populacional. Conforme Peter Drucker, o conhecimento e a informação são recursos estratégicos para o desenvolvimento do país. Sob tal ótica, observa-se que alguns indivíduos, por não terem suas dúvidas acerca da doação totalmente esclarecidas, optam por não se declararem doadores. Graças a isso, caso venham a sofrer morte encefálica, a família não autoriza a retirada de seus órgãos e tecidos viáveis para a utilização em transplantes. Consequentemente, os índices de mortalidade por aguardo na lista de espera, os quais consoante a ABTO diminuíram nos últimos anos, voltam a aumentar, prejudicando o crescimento da nação. Dessa forma, ações elucidativas são indispensáveis para a resolução do problema em questão.

      Logo, é imperioso que o Estado, em parceria com a mídia, promova campanhas de incentivo ao diálogo entre o interessado em doar e sua família, mediante a formulação de propagandas tanto televisivas quanto online - pois atingem um maior público - que abordem a importância desse ato, a fim de diminuir o número de transplantes negados pela esfera familiar. Ademais, o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, deve realizar parcerias com influenciadores digitais que esclareçam as dúvidas dos cidadãos, por meio de “posts” informativos em plataformas como Instagram e Youtube, para que mais indivíduos se declarem doadores. Em suma, aumentar as doações de órgãos e melhorar a saúde do Brasil.

    

Texto de Priscilla Faustino

PRÉ-ENEM MED E

Colégio e Curso Gauss

TEMA:

"As divergências  entre os perfis preferidos pelos pais e os perfis de filhos disponíveis para adoção"

   

     Na Roma Antiga, o abandono de crianças era uma prática comum entre os cidadãos. Hodiernamente, no Brasil, a Constituição Federal permite a adoção de indivíduos - obedecendo aos requisitos legais - para a formação de uma família. No entanto, a exigência dos futuros pais em relação aos perfis disponíveis para filhos corrobora não somente o aumento da espera por parte de jovens que desejam ser adotados como também práticas ilícitas. Diante disso, analisar o atual contexto vivido pela sociedade é fundamental para reverter esse quadro.

     Deve-se frisar, primordialmente, que o principal obstáculo para efetivar uma doação é a exigência idealizada pelos futuros pais. De maneira análoga, a maioria das famílias tem preferência em adotar meninas, com idade máxima de cinco anos e que não tenham irmãos. Sob essa perspectiva, por consequência de tal criteriosidade, torna-se crescente o número de indivíduos na espera para serem adotados, haja vista que, de acordo com dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), a quantidade de pessoas que desejam adotar mantém-se quase cinco vezes maior que a de crianças disponíveis. Dessa forma, é indubitável a necessidade de capacitação de psicólogos para abordarem esse assunto com a família.

     Paralelamente, tornam-se notáveis as práticas ilegais, como a famosa ''adoção à brasileira''. Nesse sentido, a família biológica entrega a criança a um indivíduo estranho - com o fito de receber uma quantia em dinheiro - que irá registrá-la como filho próprio. Todavia, esse procedimento é condenado judicialmente pois, por não receberem atendimento psicossocial, a longo prazo as pessoas envolvidas podem desencadear rejeição àquele laço familiar. Desse modo, tais fatores ratificam a obra ''Ensaio sobre a cegueira'' de José Saramago, em que a racionalidade das sociedades modernas pode levar ao caos, com a degradação da convivência humana.

     Portanto, são necessárias medidas para mitigar essa problemática. Logo, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Conselho de Adoção, por meio de cursos preparatórios, tornar ainda mais capacitados os profissionais dessa área, com o intuito de oferecer apoio aos pais e desmitificar aquela idealização, já que eles devem adotar um filho não pelas características físicas mas sim para criar um laço de amor e fraternidade. Ademais, é imprescindível que o Poder Público, através de fiscalizações, investigue os procedimentos de ''adoção à brasileira'' e dê punições aos envolvidos, com o fito de evitar as graves consequências desse ato e promover apenas doações asseguradas pela lei. Destarte, poder-se-á afirmar que a pátria educadora oferece mecanismos exitosos para orientar os pais a uma doação efetiva, acabando assim com os estereótipos idealizados.

    

Texto de Aiane Ramos

PRÉ-ENEM MATUTINO

Colégio e Curso Gauss

TEMA:

"Os pilares da violência infantil no Brasil"

   

     A obra literária escrita por José Mauro de Vasconcelos “Meu Pé de Laranja Lima” retrata o cotidiano humilde e inocente de Zezé, uma criança de cinco anos que já foi vítima de violência doméstica. Nessa conjuntura, é notória a semelhança entre ficção e realidade, haja vista que, devido a inúmeros fatores, os casos de violência infantil são cada vez mais frequentes na nação brasileira atual. Desse modo, compreende-se que o meio no qual as crianças estão inseridas aliado à naturalização da agressão física como castigo eficiente configuram os principais pilares dessa problemática.

   É válido ressaltar, a princípio, que a suscetibilidade das crianças à violência infantil é determinada pelos contextos sociais de suas vivências. Nesse ínterim, o livro “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, evidencia a realidade violenta e controversa de meninos do subúrbio soteropolitano. Sobre essa temática, fantasia e realidade compartilham do mesmo problema, já que um ambiente que negligencia os direitos infantis, ou seja, demarcado pela desestruturação familiar e recursos básicos irrisórios, torna-se mais propício à ocorrência dessa situação, a exemplo observa-se a recorrência desses casos com crianças de locais marginalizados. Dessa forma, o cenário de convivência dos infantes influencia diretamente na intensificação da violência infantil no país.

   Outrossim, é incontestável que a utilização recorrente dos castigos físicos pela sociedade é um dos agravantes dessa questão. Nesse sentido, Oswald de Andrade relatou os empecilhos da sua infância, dentre eles as punições físicas, no seu poema "Meus 8 anos". Com essa inferência, é perceptível que a prática de castigos físicos com intuito educativo não é algo recente, entretanto, apesar do objetivo compreensível, essa atitude se configura como o estopim para a agressão física doméstica na maioria dos casos, a título de exemplificação tem-se que as crianças contemporâneas estão cada vez mais suscetíveis à violência dentro de casa. Dessa maneira, conclui-se que a reformulação desse costume enraizado no cotidiano brasileiro deve ser efetivada.

   É mister, portanto, que o Estado, em parceria com órgãos estaduais, efetive políticas públicas responsáveis por humanizar os espaços marginalizados, por meio de programas específicos para cada região - que implementem esses contextos com lazer, educação e auxílio básico - com o efeito de mitigar a ocorrência da violência infantil nos meios mais desestruturados da nação. Ademais, urge que o Ministério da Tecnologia, conjuntamente com as secretarias educacionais, promova uma consciência crítica acerca dos castigos físicos, através de artigos conscientizadores - divulgados nas redes tecnológicas - com o fito de atenuar os índices da agressão infantil. Assim, com essas iniciativas, a realidade abordada em “Meu Pé de Laranja Lima” será desfeita.

    

Texto de Vitória Mota

3º ANO

Colégio e Curso Gauss

TEMA:

"Desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil"

   

     De acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, ligado às correntes do pensamento social do século XX, as agressões dos direitos humanos caracterizam-se, muitas vezes, pela negação ao acesso a garantias constitucionais fundamentais, tal como o acesso a uma formação educacional de qualidade pelos surdos. Nesse sentido, evidencia-se que, no Brasil, os surdos são extremamente negligenciados pelo sistema educacional, seja por conta da falência das políticas educacionais do Estado, seja pela falta de formação humana e inclusiva por parte dos educadores.

     O sistema educacional brasileiro, reformado aos moldes da educação francesa a partir da implantação da Constituição de 1988, constitui-se, atualmente, como um grande gargalo para o desenvolvimento socioeconômico do país. Nesse contexto de tamanha disparidade, os surdos enfrentam enormes dificuldades para incluírem-se nos ambientes de ensino, tendo em vista que, segundo pesquisa publicada pelo jornal Folha de São Paulo em 2015, cerca de 70% das escola vinculadas à rede pública brasileira não possuem miníma estrutura para atender um aluno com ausência de capacidade auditivas. Assim, vê-se que o Governo negligencia o direito dos surdos à educação, tornando-as vítimas de um sistema educacional sucateado e não inclusivo.

     Ademais, destaca-se, também, como empecilho à educação dos surdos, a falta de profissionais da educação capacitados para atendê-los. Contraditoriamente, a disciplina de Libras -linguagem de sinais dos deficiente auditivos - é considerada obrigatória nas grades curriculares dos cursos universitários ligados à área da educação. Conquanto a matéria é, frequentemente, desprezada pelos futuros docentes, que acreditam que ensinar pessoas surdas está distante da sua realidade. Dessa forma, perpetua-se, no Brasil, um ciclo cruel de exclusão educacional dos surdos que, mesmo não sendo agredidos e mortos – como faziam os eugênicos espartanos-, são alvo de uma das maiores violências praticadas no século XXI: a privação do acesso à educação.

    Depreende-se, portanto, que a formação educacional dos surdos no Brasil é extremamente deficiente e deve, como tal, ser tratado como prioridade pelos agentes sociais. Dessa maneira, ações devem ser elaboradas com o fato de amenizar esse cenário excludente. Primeiro, o Ministério da Educação, em parceria com as universidades, deve criar uma avaliação nacional de proficiência em libras, a fim de tornar obrigatório o alcance de um determinada porcentagem para que o futuro docente obtenha seu diploma, tornando o profissional capacitado para lida com todos os alunos. Segundo, o Governo Federal deve instaurar uma lei dos gastos da educação brasileira, de modo a sanar possíveis rombos e destinar parte das verbas apenas à área de formação de surdos, com o objetivo de mitigar, com disse Bourdieu, essa enorme agressão aos direitos humanos fundamentais.

    

Texto de Danny Victória

Nota 980 no ENEM 2018 - 180 na 01

Aprovada em Medicina  na UFOB

Ex- aluna Gauss

TEMA:

"Desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil"

   

     Desde o período da Revolução Francesa - 1789 até 1799 - a luta por ideais como liberdade e igualdade intensificou-se no mundo. No Brasil, mesmo após esse período revolucionário, as desigualdades persistiram ao longo do processo de formação do Estado, ainda que figuras históricas como Getúlio Vargas tenham tentado solucionar esse problema em campos básicos como o educacional através da criação do MEC em 1930. Neste contexto, observa-se que os desafios para a formação escolar dos surdos são de origem histórica e que tais barreiras ocorrem sobretudo pela mentalidade social e morosidade das leis.

     É indubitável que o pensamento retrógrado está entre os agravantes da problemática. Segundo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e agir dotado de alto poder coercitivo. De maneira análoga, é possível perceber que os empecilhos escolares encontrados pelos surdos são oriundos da demora no processo de atualização profissional e social para tratar dessa necessidade específica, pois os métodos de ensino tradicionais são transmitidos de geração a geração o que dificulta a educação das pessoas. Dessa forma, explicita-se a necessidade de promover melhorias educacionais para acabar com o problema.

     Outrossim, destaca-se a falta de eficiência executiva como perpetuadora dos desafios escolares encontrados pelos surdos. De acordo com a Máxima do mundo jurídico, pior que não ter leis, é ter e não aplicá-las. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a igualdade escolar não está sendo assegurada, haja vista que os deficientes auditivos debatem-se muitas vezes com a carência de fatores primários, como a falta de professores qualificados e materiais específicos, o que reflete em uma incongruência constitucional, uma vez que a educação é um direito básico das pessoas. Desse modo, evidencia-se a importância de sanar essas carências básicas para solucionar a problemática.

     Destarte, tendo como objetivo mitigar os desafios encontrados pelos no Brasil, faz-se necessário que o MEC realize campanhas de conscientização através de peças teatrais, documentários e panfletos nas escolas para que pais e professores estejam mais preparados para trabalhar as limitações específicas desses alunos. Ademais, cabe às grandes empresas de materiais escolares realizarem por meio de incentivos fiscais da Receita Federal, doação de livros e oferecimento de cursos gratuitos para os deficientes auditivos com fito de minimizar os desejos escolares enfrentados por essas pessoas. Por fim, tomadas essas medidas, o Brasil, torna-se-á referência em pluralidade e justiça no campo escolar.

    

Texto de Lucas Tosta

Nota 980 no ENEM 2018 - 180 na 01

Aprovado em Medicina  na UFOB

Ex- aluno Gauss

TEMA:

"Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet"

   

    Sob a perspectiva científica de Marie Curie, depreende-se que todos os indivíduos de uma sociedade devem ser livres para aprender, além de estarem amplamente dispostos a captar informações de diversas fontes em prol do conhecimento. Em contrapartida, ao analisar-se a questão da manipulação do usuário pelo controle de dados na internet no Brasil hodierno, verifica-se que esse ideal é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, haja vista que parte dos indivíduos são induzidos a imergirem em uma bolha de informações que propicia a alienação. Nesse compasso, o impasse persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, sendo fruto da inexequibilidade das leis, somada à negligência social.

     Em primeira análise, é insofismável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do óbice. Conforme o jurista Hans Kelsen, toda lei deve ser dotada de validade e efetividade, de modo que, por meio da sua aplicação satisfatória, o equilíbrio social seja alcançado. Em contraste, é possível perceber que, no Brasil contemporâneo, a inexequibilidade constitucional rompe essa harmonia, ao levar-se em consideração que apesar do Marco Civil da Internet garantir que o cidadão tenha liberdade de leitura em sites, aplicativos de compras online ou redes sociais armazenam informações que lhe convém e, com isso, manipula o usuário e impede que esse absorva outras fontes em prol do conhecimento. Desse modo, evidencia-se que a inocuidade da gestão pública em coibir esses imbróglios, corrobora ainda mais a manipulação em rede.

     Em segunda análise, destaca-se a letargia social como propulsora da imersão de indivíduos em bolhas alienáveis. Consoante à Escola de Frankfurt, proposta por Adorno e Horkheimer, infere-se que a indústria de massa é responsável por coibir a “fuga” do indivíduo dos infortúnios sociais que o aflige, ao fazer o uso principalmente de Políticas de Pão e Circo. Nessa prerrogativa, observa-se que inércia contemporânea da sociedade, em não questionar aos órgãos competentes a razão de empresas armazenarem sem permissão suas informações, permite que essas aperfeiçoem seus “robôs” e manipulem cada vez mais o cidadão com supostas informações verdadeiras. Em suma, torna-se evidente que os desafios para permitir a liberdade dos indivíduos na internet, estão presentes no desinteresse populacional em manifestar-se contra os absurdos que são impostos.

      Depreende-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de uma sociedade livre de lacunas manipuláveis. Com o fito de dirimir esse cenário, urge que o Ministério da Ciência e Tecnologia em consonância com o Ministério Público, proporcione maior liberdade informativa aos usuários, por intermédio do financiamento de empresas de T.I, que envie relatórios para o governo sobre empresas que fazem o uso de robôs para que essas possam ser punidas e, assim, reduzir a manipulação. Em segundo plano, cabe ao MEC, instituir publicações em avenidas e pontos turísticos que incentivem usuários a denunciarem aplicativos com supostas manipulações aos órgãos públicos. Dessarte, a partir da confluência dessas ações, além de efetivar-se os ideais de Marie Curie, a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet tornar-se-á um infortúnio cada vez mais remoto.

    

Texto de Breno Monteiro

Nota 960 no ENEM 2018 - 160 na 01

Aprovado em Medicina  na UFOB

Ex- aluno Gauss

TEMA:

"Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet"

   

     Durante o Brasil Colônia, a sociedade portuguesa implementou aos indígenas os seus comportamentos, costumes e crenças. Todavia, esse cenário caótico de transição permanece refletindo no hodierno século, com as diversas fontes de manipulação do indivíduo. Nessa perspectiva está a capacidade da internet em desenvolver algoritmos para controle de dados e consequentemente na manipulação do comportamento  dos usuários. Desse modo, instaura-se a problemática no que tange à falta de autonomia do individuo e ao conhecimento  generalizado desenvolvido pelas redes cibernéticas.

   Em primeira análise, é válido ressaltar, a fragilidade no conhecimento de informática no âmbito social brasileiro. Segundo Karl Marx, o indivíduo vive em um mundo de alienação e um constante processo de coisificação. Nesse contexto, a falta de experiência do homem com os meios cibernéticos intensifica a manipulação nos comportamentos humanos, culminando-os a seguirem padrões estabelecidos pelos algoritmos, presentes em determinadas plataformas digitais. Assim, novamente o homem perde a sua supremacia informacional, logo, a sua autonomia social no vigente molde de controle de dados.

      Segundamente, exprime-se que o conhecimento no decorrer do último século se transformou em generalizações, haja vista a rápida disseminação informacional propiciada pela internet. Na obra artística de Tarsila do Amaral, “O Abaporu” é refletida a falta de capacidade intelectual do homem moderno representado pela desproporcionalidade da cabeça ao corpo. Analogamente, os administradores de dados na internet conseguem repercutir conhecimentos generalizados, que são brevemente aceitos e compartilhados por diversas pessoas em redes sociais, dentre elas, as temidas “fake News”. Dessa forma, os internautas detêm frágeis conhecimentos que moldam seus comportamentos e sua formação ideológica, a partir de controladores de dados, comprovando a crítica de Tarcila do Amaral quanto à postura da sociedade atual.

   Em suma, a manipulação no comportamento do indivíduo do século XXI problematiza-se pelos moderadores da atual ferramenta informacional, a internet. Faz-se necessário, portanto, que o Comando de Inteligência, em parceria com o Ministério da Justiça, averigue a problemática de uma possível segregação de conteúdos, a partir do rastreamento das plataformas digitais, com fito de amenizar o processo de alienação do indivíduo pela falta de domínio das diversas informações. Ademais, cabe ao Ministério da Educação fortalecer a prática de aulas de informática, bem como o investimento em computadores, com a compra também de materiais pedagógicos que visem melhorar o entendimento do individuo sobre os algoritmos. Além disso, as Empresas Privadas aliadas à Mídia devem propiciar centros tecnológicos, no intuito de amenizarem as cobranças de impostos e capacitarem a população no que tange à abrangência de conteúdos. Desse modo, o Brasil tornar-se-á livre das “amarras” alienantes e do inverso do Abaporu.

    

Texto de Chasmille Coelho Rios

Nota 980 no ENEM 2018 - 180 na 01

Cursando Direito na UFOB

Ex- aluna Gauss

Tema: "Os desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil"

   

    Nas sociedades primitivas, a exemplo da Grécia antiga, crianças nascidas com qualquer tipo de deficiência eram mortas, uma vez que a perfeição era amplamente difundida. Entretanto, diferentemente do contexto antigo citado, atualmente, no Brasil, busca-se, sem o esperado êxito, incluir os surdos na sociedade brasileira, principalmente, através da formação educacional. Logo evidencia-se que a ineficiência governamental e societária são os principais desafios para mitigar o problema.

    A priori, nota-se que a sociedade brasileira não colabora, efetivamente, para inclusão e formação educacional dos surdos no Brasil. Nesse sentido, o sociólogo Max Weber determina que as instituições sociais como a família e o convívio social desempenham um importante papel na formação do indivíduo. Seguindo essa linha de raciocínio, é visível que conceitos historicamente enraizados de que pessoas com deficiência auditiva não devem seguir carreira acadêmica e futuramente ingressar no mercado de trabalho são propagados indevidamente e se tornam um obstáculo a ser vencido. Exemplo disso são as escolas adaptadas que não preenchem as vagas destinadas a esse público. Assim, fica claro que a família e a sociedade são fundamentais para incentivar a formação educacional de tal parcela da população brasileira.

     Outrossim, vale ressaltar que a ineficiência governamental também se constitui como propulsoras do problema. Nesse contexto, apesar de existir leis que asseguram o direito de acesso educacional inclusive aos surdos, o mesmo não é devidamente cumprido pela falta de escola estruturadas e profissionais bem capacitados, além da falta de campanhas informativas para orientar a procura de tal direito pelas famílias. Nesse parâmetro, o sociólogo Hans Kelsen afirma que para uma norma ser validada no âmbito social ela precisa ser dotada de aplicabilidade e eficiência. Desse modo, destaca-se a efetivação das leis e a ação governamental para mitigar o problema.

     Verifica-se, portanto, que os desafios para a formação educacional dos surdos são frutos, sobretudo, de falhas governamentais e sociais. Para amenizar esse problema é necessário que o Poder Público amortize impostos de empresas midiáticas que divulgarem amplamente propagandas de cunho informativo produzidas pelo Ministério da Educação a fim de influenciar positivamente e conscientizar as famílias a procurarem matricular os surdos nas devidas escolas estruturadas pelo governo. Ademais, cabe ao Ministério Público criar uma conta bancária exclusiva para depositar uma parcela dos impostos de papelarias e livrarias e tal verba ser destinada a capacitação de profissionais especializados em libras (Linguagem Brasileira de Sinais). Dessa maneira, o Brasil será, de fato, um país inclusivo para os surdos e de oportunidades igualitárias para todos os cidadãos.

    

Texto de Lizandra Almeida

Nota 980 no ENEM 2017 - 180 na 01

Cursando Medicina na FASB

Ex- aluna do Noturno Pró + Gauss

Tema: "Os desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil"

   

    Em sociedades antigas, como a espartana, havia a prática do infanticídio de crianças consideradas “defeituosas” devido a crença de que elas enfraqueciam a nação. Com o decorrer dos séculos, essa mentalidade mudou e, atualmente, existe uma preocupação com a acessibilidade, em especial, dos deficientes auditivos. No Brasil, os surdos possuem direitos garantidos pela Constituição, no entanto, ainda há desafios para a formação educacional dessas pessoas, tanto pela inaplicabilidade das leis, quanto pela intolerância exercida por parte da população.

     Em primeiro plano, a falta de efetividade da legislação brasileira é um empecilho à educação dos surdos. Segundo Hanz Kelsen, toda lei deve ser dotada de validade e eficácia. Por analogia, esse pensamento deve ser aplicado à realidade nacional, na qual a Carta Magna garante a obrigatoriedade de materiais específicos e profissionais qualificados para atender os estudantes surdos e, por vez, isso não ocorre na prática. Desse modo, o deficiente auditivo sente-se desmotivado a estudar, por conta da ausência de um suporte eficiente pelo Estado.

   Além disso, o caráter incompreensivo, por parte da população, tende a intensificar as barreiras para educação dos surdos. De acordo com Augusto Cury, somente no terreno da tolerância pode-se obter o respeito e igualdade entre todos. Nesse sentido, a falta de cooperação da sociedade, atua negativamente para a formação dos surdos, a exemplo da discriminação e do “bullying” que alguns estudantes com essa deficiência sofrem dos colegas e, até mesmo, de alguns profissionais do âmbito escolar. Dessa forma, devido à falta de acolhimento nas instituições de ensino, os alunos surdos são desestimulados a continuar nos estudos e alcançar uma formação educacional.

      Infere-se, portanto que os desafios para a formação educacional dos surdos são oriundos da má aplicação das leis e da intolerância por uma parcela da sociedade. Por isso, cabe ao Governo Federal, juntamente com instituições financeiras, criar um fundo nacional para a educação inclusiva, com efeito a destinar recursos para a capacitação, profissional, bem como para a oferta de material específico aos surdos, nas escolas públicas. Ademais, as Secretarias Estaduais e Municipais devem implantar ensinos que abordem o respeito para com os surdos, juntamente com aulas de libras, com intuito de diminuir os preconceitos e estimular a comunicação entre surdos e não surdos. Assim, o Brasil tornar-se-á um exemplo na formação educacional dos deficientes auditivos.  

   

Texto de Mateus Ponsoni

Nota 960 no ENEM 2017 - 160 na 01

Cursando Medicina na UFOB

Ex- aluno Pré-Med Gauss

Tema: "Os desafios da vacinação no Brasil"

   

      No século XVIII, a varíola foi a patologia responsável por aniquilar grande parte da população mundial, até que Edward Jenner, um cientista, mudou essa realidade ao produzir o primeiro medicamento preventivo da história: a vacina. Ao longo dos séculos, o estudo sobre doenças e suas prevenções se desenvolveram, o que provocou um aumento geral no controle das diversas patologias no Brasil e no mundo. Entretanto, apesar dos benefícios da vacina para a saúde pública, atualmente, devido à falha governamental na garantia do acesso e ao crescente percentual de indivíduos contra a imunização, tem-se a vacinação como uma problemática do Brasil contemporâneo.

      Primeiramente, é válido ressaltar a precariedade do poder público na efetiva distribuição de vacinas no Brasil. Analogamente, de acordo com a Constituição Federal, é dever do Estado fornecer à população uma saúde de qualidade. Entretanto, nessa perspectiva, é notória uma falha em tal garantia uma vez que muitos brasileiros não conseguem se vacinar pela falta do produto, o que é refletido na atualidade em muitos postos de saúde do país, decorrente do vencimento ou sumiço de vacinas, como ocorreu com as de febre amarela em São Paulo. Logo, essa carência de acesso propiciado dificulta a atuação das campanhas de vacinação no controle de doenças.

      Em segundo plano, é importante lembrar que o aumento no número de pessoas que rejeitam a vacinação no Brasil fomenta uma tendência atual de crise. Historicamente, tem-se a Revolta da Vacina, um movimento de oposição no governo de Rodrigues Alves, em que a população envolvida se recusou a receber vacinas, principalmente pelo medo de adquirir mais doenças. Nesse contexto, em similaridade com o atual cenário do país, inúmeras pessoas têm o mesmo ideal de prevenção desnecessária cristalizado, o que dificulta a ação do governo no controle patológico e propicia o retorno de diversas doenças, a exemplo da poliomielite. Desse modo, evidencia-se que a precariedade das campanhas de vacinação do país atua como agravante à deficiência no controle de doenças, sobretudo devido ao alto índice de rejeição.

      Em suma, o diminuto alcance da vacinação hoje é uma problemática brasileira oriunda das questões supracitadas. Para atenuá-la, cabe à ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária –, em parceria com prefeituras, reformar a abordagem da saúde pública para com vacinas, por meio do controle e fiscalização de postos de atendimento, com a contratação de agentes da saúde, com o fito de garantir o acesso geral e a prevenção majoritária de doenças. Ademais, o Ministério da Saúde, juntamente com as redes sociais, como o Instagram, deve reformar os métodos de campanhas, em função de disseminar os benefícios da vacinação e desmistificar estereótipos. Dessarte, as descobertas de Edward Jenner tornar-se-ão totalmente favoráveis ao controle de doenças no Brasil.

   

Texto de Luiza Carla Maciel

Aluna Pré-MED

Colégio e Curso Gauss

Tema: "Os limites entre a estética e a saúde"

    Narciso, personagem da Mitologia Grega, tem por característica um amor próprio em demasia, o que, por consequência, ao tentar aproximar-se de seu reflexo na água de um lago, acaba por se afogar. Analogamente, quando se observa a busca exagerada pela beleza, verifica-se que assim como Narciso, milhares de brasileiros se dispõem a arriscar a vida pela estética. Logo, deve-se analisar como o culto ao corpo e a influência das redes sociais atuam sobre a problemática em questão.

    A exacerbada valorização de um molde corporal estabelecido socialmente é a principal responsável pelo aumento de cirurgias estéticas no país. Isso decorre do século XVI, quando o europeu , durante o processo de colonização, determinou que o modelo padrão de indivíduo superior fosse aquele composto por um homem sem imperfeições no seu bem-estar físico. A sociedade, então, por tender a incorporar as estruturas sociais de sua época, conforme defende Pierre Bourdieu, naturalizou esse padrão e o reproduziu ao longo das gerações. Como exemplo disso na contemporaneidade, tem- se o "Ken Humano", que buscava se igualar à perfeição de um boneco, por meio de cirurgias, porém, em um desses procedimentos adquiriu uma infecção que interrompeu a sua vida. Dessa forma, a saúde não deve ser posta em risco em prol de um padrão de corpo que é difundido no tecido social.

    Atrelada a isso, a influência das redes sociais também é responsável pela problemática em questão. Isso, porque, segundo a Escola de Frankfurt, a indústria cultural é formada por produções artísticas que utilizam os meios de comunicação de massa para padronizar comportamentos e pensamentos, através do consumo. Um exemplo disso foi o caso da bancária Liliam Calixto, que movida pela popularidade do "Doutor Bumbum" no Instagram - com mais de um milhão de seguidores - optou por realizar um procedimento estético nos glúteos e, no dia posterior, veio a óbito. Desse modo, basear-se em profissionais das redes sociais sem a verificação de sua autenticidade pode gerar consequências fatais.

    Entende-se, portanto, que minimizar a vaidade e aperfeiçoar a criticidade dos internautas são elementos essenciais para a nação. Destarte, o Ministério da Saúde, em parceria com a Mídia, deve promover uma representatividade das várias formas de beleza além daquelas já padronizadas no país, por meio de projetos que garantam tal adaptação na sociedade brasileira. Como a oferta de propagandas e novelas de alto engajamento social que estimulem a autoaceitação e o reconhecimento da diversidade, no intuito de alertar acerca dos riscos da busca excessiva de adequação aos padrões estéticos. Ademais, o Ministério da Educação deve fortalecer a criticidade no meio virtual, por intermédio de projetos que garantam tal adaptação, como a oferta de palestras nas escolas que esclareça a relevância das informações das redes sociais de profissionais da saúde, bem como a sua competência para atuar em certa área.

     

Texto de Tiago Araújo

Aluno IFEN

Tema: "A crise dos refugiados no Brasil"

    "Minha vida é andar por esse país, pra ver se um dia eu descanso feliz". Os versos da canção “A vida de um viajante”, de Luiz Gonzaga, refletem uma característica natural dos brasileiros: a migração orientada pela esperança de melhores condições de vida. Contudo, fora do contexto musical, o Brasil é o destino de refugiados internacionais, que embora acolhidos constitucionalmente, enfrentam intensos obstáculos em sua estadia. Nesse sentido, a ausência de condições para a estabilidade dos estrangeiros e a marginalização social os igualam ao viajante de Gonzaga na busca incessante e, muita vezes, sem sucesso por direitos inalienáveis.

    Após a abolição da escravatura, a mão de obra europeia ocupou a cafeicultura e consolidou o Brasil como uma nação de origem múltipla. Nessa perspectiva, a recepção amigável e regulamentada dos refugiados é uma maneira de valorizar a história nacional. Entretanto, tal postura se contrapõe à inexistência de condições dignas de moradia, alimentação, e emprego para os migrantes, mazelas respaldadas pela abstenção estatal diante da situação. Assim, ainda que exista um aporte legislacional que garanta a igualdade de direitos entre os habitantes, nativos ou não, a posição governamental é utópica e fragilizada, evidentemente passiva de mudanças em prol do bem-estar do público em questão.

  Ademais, a carência de uma estrutura prefixadora dos refugiados promove situações de violência tão complexas quanto as que motivaram a migração do país de origem. Isso se dá, em grande parte, através da marginalização, dos subempregos e da inviabilidade da sustentação de valores pessoais. Nesse viés, Michel Foucault, em sua obra Vigiar e Punir, define o crime por razão de necessidade como responsabilidade majoritariamente social, que propõe ao ser humano o emprego de sua pior faceta. Por conseguinte, as manchetes que ilustram refugiados venezuelanos, concentrados na região Norte, cometendo crimes, propõem um olhar crítico à respeito das consequências de sua precária recepção. Desse modo, a problemática, ainda que caótica, é mutável.

    Infere-se, portanto, que o drama dos refugiados tende a ser mantido caso medidas de intervenção não sejam efetuadas. Nessa conjuntura, a priori, o Governo Federal deve criar centros de acolhimento dos refugiados, onde, por meio de cursos profissionalizantes, moradia provisória e alimentação produzida no próprio ambiente, os internos sejam capacitados pista obterem uma vida digna no país, a exemplo do que já é feito por ONG's e instituições religiosas. A posteriori, a iniciativa privada deverá selar acordos com o Ministério do Trabalho, que mediante a amortização de impostos, deverá favorecer a contratação de uma cota mínima de refugiados conforme ocorre com os deficientes, visando um tratamento desigual para oportunidades iguais. Só então, a angústia do migrante restringir-se-á ao Baião.

     

Texto de Nilma Lorena

Noturno Pró +

Colégio e Curso Gauss

Tema: "Indígenas: como garantir-lhes dignidade no cenário brasileiro contemporâneo"

     O termo indígena concerne ao indivíduo que habitava um país ou região anteriormente a um processo colonizador, o qual, quando associado ao Brasil, representa um episódio de escravização e enfermidades, além de desprezo ideológico e cultural. Contudo, a fragilização da dignidade do índio brasileiro perpassa até a sociedade hodierna, visto que a carência de acesso aos cenários políticos, educacionais e hospitalares, bem como o preconceito social, faz com que seus direitos como cidadãos não sejam integralmente garantidos e sua cultura, de modo ultrajante, seja desvalorizada.

     Em princípio, conforme a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza; mediante tal ângulo, vê-se, de maneira clara e consciente, que a exígua participação dos autóctones no meio político e educacional, juntamente com seu ínfimo acesso ao setor de saúde, cria uma conjuntura hostilmente contraditória no país. Nesse sentido, a assertiva de Hobbes, de que a autoridade política possui a incumbência de estabelecer a paz civil, percebe-se fragilizada, pondo a população indígena em urgência de cidadania e de ideais básicos para a comunidade, como a educação e a saúde, assim, sua dignidade é dolorosamente violentada.

     Outrossim, segundo Voltaire “Preconceito é opinião sem conhecimento”, desse modo, a desvalorização dos saberes, costumes e hábitos indígenas, gerada por tal ignorância, fere seus descendentes quanto à sua liberdade de expressão cultural e, por conseguinte, os distancia de suas origens, as quais são primordiais para a formação do indivíduo. Consoante ao elencado, é fato que há um número escasso de temáticas e representações da cultura indígena brasileira em sua própria nação, como música, costumes e culinária. Dessarte, evidencia-se seu povo como mártir de um preconceito que os limita socialmente e os põe à beira de uma escravização cultural.

     Em síntese, é imprescindível que os desafios da dignidade indígena sejam superados para que o Brasil alcance uma sociedade mais justa. Assim, o Ministério da Justiça e da Cidadania deve desenvolver um projeto de disseminação e compreensão dos direitos sociais voltados aos indígenas, por meio de assembleias com a possibilidade de participação de toda a comunidade, em que haja a distribuição de cartilhas explicativas sobre os direitos garantidos a todos os cidadãos brasileiros, com o intuito de precaver e evitar a marginalização dos indígenas quanto ao convívio social. Ademais, faz-se necessário que o Ministério da Cultura, em parceira com a mídia nacional, promova ações de conscientização e integração das individualidades culturais, através de campanhas nas redes midiáticas, com o objetivo de sanar o preconceito social, gerador de complicações para o meio coletivo.

     

Texto de Camila Missio

Aluna IFEN

Tema: "O drama dos refugiados no Brasil"

     O debate acerca do drama dos refugiados tornou-se ascendente à medida que a eclosão de guerras civis e atentados terroristas promoveu reflexos mundiais. Nesse parâmetro, o cosmopolitismo Ateniense, isto é, a aceitação de apátridas como pertencentes à nação como um todo, favoreceu a ampliação de princípios como cidadania e democracia na sociedade Grega. Contudo, o Brasil, lamentavelmente, encontra-se exterior a essa prerrogativa solidária e altruísta. Dessa forma, a negligência popular e a passividade governamental são fatores que rechaçam a igualdade social diante da caótica realidade dos refugiados. 
     A sociedade civil, quando imbuída de valores e ideologias isonômicas, exerce um importante papel no processo dos fluxos migratórios. Nessa ótica, mediante a teoria filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma nação democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. Entretanto, a parcela popular não se identifica com esse preceito ao passo que discrimina e expõe a repulsa individual em relação ao refugiado. Essa perspectiva de injúria e não aceitação foi verificada no Brasil por meio do apedrejamento de um ambulante sírio em Copacabana. Dessa maneira, o discurso preconceituoso e xenofóbico favorece o distanciamento social e a violação do direito à vida que juridicamente o ser humano possui.
   Outrossim, a atuação fragilizada do Poder Público também ocasiona a intensificação de ojerizas e do “apartheid social” desencadeado pela crise dos refugiados. Nesse viés, o axioma jurídico pressupõe que “pior que não ter leis, é tê-las e não aplicá-las”. Seguindo esse raciocínio, o Brasil contemporâneo insere-se nessa conceituação ao sancionar leis que asseguram, paradoxalmente, a condição de igualdade e segurança ao migrante. A Lei de Migração, de 2017, expressa a inoperância Estatal para com a vanguarda humanitária, ao garantir, ocasionalmente na teoria, o combate à apatridia nacional. Desse modo, a ausência de políticas ostensivas, sobretudo de amparo e aceitação do refugiado, promove a violação de direitos imprescindíveis ao rompimento desse “apartheid”. 
   Depreende-se, portanto, que o drama dos refugiados requer mudanças nas instâncias cíveis e governamentais. A priori, é imperioso que os Três Poderes Estaduais, conjuntamente, instituam políticas de aplicação legislativa e fiscalização, por meio da contratação de agentes que coordenem os departamentos de destinação dos refugiados, mediante a análise sociocultural precedente, com o fito de promover o equilíbrio e o bem-estar societário dos migrantes. Ademais, cabe a SECOM – Secretaria Especial de Comunicação Social –, em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos, lançar campanhas de conscientização coletiva, mediante a explanação da necessidade de respeitar os apátridas e os fluxos migratórios, a fim de atenuar o caos que os refugiados presenciam e sua invisibilidade mundial. Assim, o Brasil tornar-se-á uma referência do cosmopolitismo Ateniense em pleno século XXI.

Texto de Kássia Lays

Noturno PRO +

Colégio e Curso Gauss

Tema: "A democratização do acesso à produção cultural no Brasil"

    A Semana de Arte Moderna - SAM, em 1922, foi um “divisor de águas” na produção cultural brasileira. Contrapondo a arte elitizada e segregacionista, as produções desse movimento passaram a prezar pelo grande público, e democratizar o acesso às manifestações artísticas. Entretanto, com o advento do Regime Militar no Brasil, as produções foram censuradas, por conta do teor crítico que possuíam, como a denúnica diante dos abusos do Estado. Nesse sentido, pode-se dizer que houve um retrocesso no objetivo da arte, ao privar a liberdade de expressão e do pensamento da população, fato que perdura até hoje. Desse modo, o acesso à produção cultural no Brasil é escasso, devido ao controle - ainda que discreto - do Governo e à influência seletiva da mídia.

     O Estado reconhece o poder de construção de uma mentalidade crítica por meio das obras culturais. Segundo Louis Althusser, os Aparelhos Ideológicos de Estado são usados como mecanismos de reprodução da ideologia do poder vigente, o que resulta em uma massa alienada e reprodutora das convicções do governo. Assim, ao privar a população do acesso à produção cultural, torna-se mais fácil manipular a sociedade. No Brasil, esse fenômeno é comprovado de várias formas, como nos altas cargas tributárias cobradas da venda de livros ou o preço inacessível dos ingressos de teatro e cinema, ou ainda por conta da inexistência desses espaços culturais multiuso em regiões desassistidas pelo Poder Público. Com isso, apesar da pluriculturalidade brasileira, a sociedade acaba por ser vítima de um Estado opressor, que impede, de maneira sutil, o acesso às formas de produção cultural.

    Somada a isso, a mídia desenvolve um papel importante para a indústria cultural, ao veicular o que convém à obtenção de capital. De acordo com filósofos da Escola de Frankfurt, a razão instrumental é uma forma de fazer ciência que somente se interessa pelos fins, mesmo que não haja um “bem comum” para a sociedade. Logo, a grande mídia realiza essa função no Brasil, ao produzir a conhecida “cultura de massa”, que possui como único intuito o lucro. Dessa maneira, a mídia escolhe as produções que mais irão vender, sem se importar com a qualidade ou se a obra é dotada e criticidade e finalidade social.

      Entende-se, portanto, que apesar da rica produção cultural, o exíguo acesso é fruto da omissão governamental bem como da seleção midiática. Diante disso, é imperioso que a escola, em parceria com os municípios, realize projetos culturais, como feiras literárias e saraus, com finalidade de inserir na sociedade formas democráticas e acessíveis de obras culturais, como ocorreu na SAM. Ademais, é imprescindível que o Ministério da Cultura, juntamente com a esfera privada, desenvolva um trabalho de inserção de novos artistas na grande mídia, como em programas televisivos, visando reconhecer e difundir prodígios desconhecidos, para que no maior veículo da indústria de massa possa conter qualidade cultural democrática. Assim, o Brasil tornar-se-á um país verdadeiramente plural na cultura e nas formas de acesso a mesma.

Texto de Victória Brasil

PRÉ-MED

Colégio e Curso Gauss

Tema: "Hoax, notícias falsas e suas implicações"

     Durante a Era Vargas, o presidente do Brasil anunciou uma tentativa soviética de invasão ao território nacional, fato esse que culminou no cancelamento das eleições e na permanência de Getúlio no poder, o chamado Plano Cohen. Essa informação foi posteriormente intitulada como falsa e fundamentada pelo interesse político de manutenção do Estado Varguista. De maneira análoga a isso, na atual população volátil, as notícias tornam-se cada vez mais acessíveis, porém não há distinção entre as verídicas e as pseudoinformações. Surge assim, a problemática da disseminação de conteúdos ilegítimos e suas implicações, como a manipulação da sociedade moderna e a consequente consolidação de ideais da classe dominante, a elite.

   Dentro do contexto midiático, as indústrias possuem influência direta na formação de conceitos individuais hodiernos. Em decorrência disso, a manipulação por parte desses recursos influencia de maneira direta nos ideais dos brasileiros. Isso está vinculado à divulgação de notícias falsas com o intuito de controlar a capacidade questionadora humana. Segundo Zygman Bauman, em seu livro Modernidade Líquida , a sociedade moderna é marcada pela superficialidade em decorrência do uso excessivo de recursos tecnológicos. Esse pensamento evidencia que, pelo fato da população ter essência frágil, não há aprofundamento de conhecimentos e, consequente, o ludíbrio é imposto como correto. Dessa forma, torna-se explícito o impacto que a disseminação de inverdades traz para a sociedade moderna.

     Além disso, pode-se perceber que as pseudoinformações, na maioria das vezes, têm o objetivo de supervalorizar alguma figura importante no meio social, e até mesmo causar ódio e indignação nos indivíduos, a fim de atender aos interesses político-econômicos da classe dominante. Isso pôde ser visto no assassinato da vereadora Marielle Franco, que foi vítima da divulgação de um conteúdo ilegítimo, por parte de uma figura política de grande poder coercitivo, que afirmava o seu relacionamento com um traficante. Posterior a sua morte, foi comprovado pela justiça que a informação era falsa. Assim, pode-se perceber que esse fato impactou brasileiros em decorrência da notícia errônea ter sido divulgada com o objetivo despertar revolta e agitação social.

     Conclui-se, portanto, que, com o intuito de minimizar a manipulação para com a sociedade moderna e a afirmação de ideais elitizados, as escolas públicas, amparadas pelo MEC, devem ter papel de formação crítica dos jovens e crianças, por meio de aulas semanais de Filosofia, Sociologia e Cidadania, e a promoção de debates duas vezes ao mês, com o objetivo de incentivar a capacidade questionadora humana e extinguir a probabilidade de uma futura alienação. Ademais, o Estado deve ser responsável por aplicar eficientes penalidades aos indivíduos que criarem e compartilharem as "fake news". Assim, de maneira gradativa o país irá minimizar essas atribulações com raízes seculares.

Texto de Ana Beatriz Britto

PRÉ-MED

Colégio e Curso Gauss

Tema: "As complexidades do combate à homofobia no Brasil"

     Sob a perspectiva aristotélica acerca da "Eudaimonia", felicidade plena, para atingi-la o homem deve buscar a mediania entre Política e Ética. À vista de tal preceito, nota-se que a questão da homofobia rompe com os preceitos filosóficos ao violar a dignidade humana e suspender a harmonia social. Assim, o imbróglio vigente se consolida devido à reprodução de um padrão heteronormativo, oriundo das bases paternalistas, somado com a inoperância dos preceitos democráticos assistidos à comunidade LGBT.

    É inegável que a formação do pensamento brasileiro é moldada a partir de valores coloniais impostos sobre a orientação sexual, o que corrobora para a cristalização de estigmas diante das relações que não se harmonizam com o modelo pré-estabelecido. De acordo com a filósofa brasileira, Mariana Chauí, a democracia deve ser um sistema com direitos igualitários para todos, sem ações que prejudiquem um grupo em prol do outro. No entanto, o obsoleto quadro homofóbico presente no Brasil rompe com o contrato social, além de cessar as liberdades individuais, dificultando, assim, o pleno exercício da Democracia. Nesse viés, é mister inferir que a extrema alienação cívica diante dos arranjos contemporâneos é um anacoluto para o combate de preconceitos.

     Ademais, salienta-se que o Governo mostra-se inobservante quanto a isso, o que resulta no condicionamento ao crime hediondo. Conforme o ideário apresentado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a violação dos Direitos Humanos está vinculado à perpetuação de paradigmas intolerantes, que atentam contra a dignidade da pessoa ou de um grupo social. Dessa forma, observa-se que o ideal isonômico não é respeitado devido à construção de gênero imposta desde a infância, o que resulta da coerção do meio diante dos indivíduos.

    Evidencia-se, portanto, que esse impasse persiste em virtude dos conceitos coloniais arraigados no corpo cívico, além da morosidade judicial. Nesse ínterim, cabe ao Setor Legislativo efetivar por meio da LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação - uma competência disciplinar nas aulas de História, Filosofia e Sociologia, que retrata sobre o conceito de gênero e orientação sexual, com debates sobre respeito e tolerância, a fim de reduzir as hostilidades e julgamentos para com homoafetivos. Paralelamente, urge imperiosa uma aliança entre a esfera Municipal e ONG's, com a distribuição por todos os distritos de cartilhas que elucidem sobre alternativas de denúncias em qualquer contexto de violência à comunidade LGBT. Dessarte, certamente, a tolerância é o principal caminho para o Brasil alcançar o equilíbrio proposto por Aristóteles.

Texto de Danielle Paiva

Pré- MED

Colégio e Curso Gauss

Tema: "Esporte no Brasil: meritocracia excludente ou ferramenta de inclusão social?"
 

       A partir do estabelecimento da Nova República, entre os anos 90 e 2000, o Brasil contou com avanços que foram além da estrutura democrática, ao ser implantado, no país, o Ministério dos Esportes. Nessa perspectiva, a prática de atividade física passou a ser disseminada em solo nacional, nos últimos anos, não só como uma via de melhoria da qualidade de vida, mas também como promotora de inclusão social. Nesse sentido, o papel do esporte na manutenção dos valores sociais em consonância à melhoria dos indicadores escolares de jovens e crianças praticantes traz à tona a importância do investimento governamental no setor.

     É indubitável que as atividades desportistas possuem grande influência na formação moral dos cidadãos. Nesse aspecto, o sociólogo Émile Durkheim, em seus trabalhos sobre determinismo, afirma que os indivíduos sofrem influência do meio ao qual estão inseridos, no que tange à construção das suas personalidades. Sob essa óptica, os jovens brasileiros que possuem contato com projetos esportivos, seja nas escolas ou em comunidades, estão muito mais propícios a desenvolver disciplina, ética e a criar laços afetivos ou senso de pertencimento. Desse modo, o esporte atua como promotor de valores morais, bem como inclusão social.

     Somado a esse aspecto, as atividades físicas coordenadas auxiliam ainda o desempenho escolar dos jovens e crianças praticantes. Nesse sentido, dados do projeto “Segundo Tempo” – Instituto governamental de incentivo à prática desportista – estimam que cerca de 97,2% dos infantes cadastrados no projeto, em áreas de vulnerabilidade social, estejam matriculados na escola e com notas acima da média. Sob essa perspectiva, os sensos de disciplina e comprometimento trazidos pelo esporte refletem nos resultados acadêmicos dos infantes, o que se torna fundamental para o desenvolvimento desses como cidadãos e futuros profissionais.

      Infere-se, portanto, que a atividade esportiva estende sua importância do campo da saúde para os âmbitos morais e educacionais, ao tempo em que atua como agente de inclusão social. Desse modo, a fim de perpetuar essa cultura no Brasil, é imperioso que o Ministério dos Esportes, em parceria com os governos locais, promova a expansão dos programas desportivos existentes aos diversos bairros e comunidades, através do estabelecimento de quadras e piscinas, além de promover campeonatos locais com premiação, a fim de estimular o engajamento dos cidadãos. Além disso, urge à família, em associação com a escola, o estímulo dos jovens à prática de exercícios, por meio de aulas e debates com a comunidade acerca dos benefícios do esporte, de forma que esses possam utilizar como ferramenta de ascensão social e qualidade de vida. Assim, o determinismo de Durkheim pode atuar de maneira positiva sobre a sociedade brasileira.

Texto de Stefanie Muritiba

Noturno Pró +

Colégio e Curso Gauss

Tema: "Empecilhos da doação de sangue no Brasil"
 

     O avanço da medicina proporciona inúmeros benefícios para a sociedade, graças a intensivos estudos científicos que melhoram a qualidade de vida. Hoje, tais inovações auxiliam na recuperação da saúde de muitos indivíduos, a exemplo da transfusão de sangue, ato que ainda sofre preconceito pela falta de instruções a respeito do processo geral para a doação. Nesse âmbito, é inegável que o poder público deve elaborar maneiras para instruir a população no que tange à doação de sangue, bem como cada indivíduo buscar maneiras de ajudar aqueles que necessitam, independente do grau de afinidade.

     É sabido que seguidores de determinadas religiões não doam sangue como também não aceitam a transfusão em caso de necessidade própria. Tal fato levanta questionamentos a respeito da capacidade humana de deturpar ideias inovadoras que trazem soluções para a manutenção da vida. Contudo, é imperiosa a manutenção do respeito às crenças de cada um, porém, casos como esses levam à tona a falta de conhecimento de muitas pessoas em detrimento dos benefícios advindos desses procedimentos. Dessa forma, é imprescindível que a sociedade busque maneiras de se informar sobre o ato de doar, tendo o governo do Brasil como mediador e promotor da difusão de tais conhecimentos.

     Em contrapartida, vê-se um estado omisso perante a situação da infraestrutura das unidades de saúde aliada à falta de novos estabelecimentos. Casos assim agravam a ineficácia do convencimento da população propensa a doar, pois carrega consigo a insegurança em todo processo de coleta. Nesse aspecto, é inegável que o Governo tem culpa no número ineficiente de doadores, haja vista que, em cidades interioranas, sequer existem hemocentros.

    Portanto, é perceptível que os empecilhos que abarcam a doação de sangue é uma junção de fatores atrelados à sociedade e ao Estado. Por esse motivo, o Ministério da Saúde deve elaborar campanhas de motivação para população à doação sanguínea, através de panfletos, propagandas televisivas até mesmo palestras nas comunidades, com o intuito de eliminar crenças que possam prejudicar a manutenção da vida, aumentando assim o número de doadores. Por fim, é dever do Estado criar unidades para coleta de sangue, ampliar os estabelecimentos já existentes nos grandes centros, para que em cada região do Brasil tenha o benefício que um hemocentro oferece para a população. Assim, reduzir-se-á o número exacerbado de vidas perdidas oriundas da falta de doação de sangue no Brasil.

Texto de Danilo Portella

Aluno Pré-MED

Noturno Pró+

Colégio e Curso Gauss

Tema: Preconceito Linguístico no Brasil
 

        "Dê-me um cigarro diz a gramática,  mas o bom negro e o bom branco da nação brasileira diz todos os dias: deixa disso camarada e me dê um cigarro". A partir da perspectiva de Oswald de Andrade, é indubitável que a pluralidade linguística foi fundamental ao processo de construção sociocultural do país. No entanto, na contemporaneidade, um fenômeno inverso merece destaque: o preconceito linguístico. Destarte, dois fatores corroboram com essa realidade: a carência de políticas públicas de inclusão das variantes da língua,  bem como o aspecto sócio-histórico de elitização desse bem imaterial.
       Enquanto a gramática normativa for instrumento unificado de avaliação da língua em um país cuja formação baseia-se na multiplicidade étnica, o preconceito linguístico se perpetuará. Segundo a literatura de Maria Mantoan, "a inclusão só ocorre com o fim da escola dos diferentes e início da escola das diferenças". Em contrapartida, no Brasil, desde a alfabetização o brasileiro é instruído ao uso da norma padrão e negação das variantes linguísticas adquiridas culturalmente. Desse modo, o combate ao preconceito na língua instiga a ruptura dessa imposição educacional, através da inserção do respeito a princípios como a situacionalidade na formação socioeducativa do cidadão.
  Ademais, outro fenômeno contribui significativamente com esse segregacionismo: a elitização da língua. Desde o século XVI com o primeiro contato entre europeus e nativos, a língua tornou-se objeto de dominação. Nesse sentido, a hierarquização da linguagem advém de raízes históricas cristalizadas na sociedade que valorizam a norma culta em detrimento das variantes. A partir disso, infere-se que a discriminação linguística  é acirrada com o hábito cultural do brasileiro em estigmatizar o que difere da norma padrão como inferior ao sistema linguístico no Brasil.
       Evidencia-se, portanto, a importância  da atuação mútua entre as principais esferas sociais, no que tange ao combate ao preconceito linguístico no país. Dessa maneira, torna-se perceptível  a necessidade de participação do Ministério da Educação e  instituições educacionais na preparação do corpo docente desde as séries iniciais, através da integração do estudo voltado ao respeito às variedades linguísticas nas grades curriculares. Além disso, urge à família brasileira a mudança de postura por meio do diálogo a favor da ruptura da hierarquização na língua.  Assim, o Brasil será referência em romper as barreiras ideológicas acerca desse patrimônio imaterial, a âmbito internacional.

Texto de Laís de Oliveira
Pré-MED A
Colégio e Curso Gauss

A importância do serviço voluntário

    Análoga à afirmação do filósofo Bauman, em sua obra Modernidade Líquida: "Nós somos responsáveis pelo outro’’, tem-se a principal característica do voluntariado, que é a responsabilidade de garantir assistência, em qualquer âmbito, ao próximo e sem nenhum tipo de cobrança financeira. Esse tipo de atitude é de fundamental importância na unidade social contemporânea, que prevalece o individualismo e a desigualdade social, pois proporciona integração entre os cidadãos e melhoria na qualidade de vida de quem é assistido.

 

    O capitalismo desencadeou uma sociedade desigual, egoísta e individualista, que vive almejando o lucro, com isso, grupos periféricos como os sertanejos, moradores de favelas ou até doentes são menosprezados socialmente. Diante desse cenário, é fundamental a existência do trabalho voluntário para a geração de benefícios sociais. Como exemplos, têm-se os ‘’Voluntários do Sertão’’, que ocasionam tratamentos médicos aos moradores do Sertão, o grupo ‘’Nós do Morro’’, que tem o objetivo de proporcionar acesso à arte e à cultura no Morro do Vidigal- Rio de Janeiro- além dos ‘’Doutores do Riso’’, que garantem momentos de lazer em hospitais. Dessa forma, a sociedade só conviverá em harmonia e sem desigualdades no momento em que o próximo também for prioridade, e isso pode ocorrer por meio do voluntariado.

   Além disso, o trabalho voluntário garante benefícios individuais, pois o voluntário ao se tornar ativo na solução de problemas sociais, abandona além do individualismo contemporâneo, o estresse cotidiano e passa a sentir prazer em ajudar, o que melhora a própria qualidade de vida. O médico, Patch Adams, por exemplo, fundou o instituto Gesundheit, o qual presta serviços sem cobrança financeira, pois ele acredita que ao ajudar o próximo, contribui para a melhoria da própria saúde ao ativar neurotransmissores que favorecem seu organismo. Logo, o voluntariado é a principal ferramenta para uma vida social e individual equilibrada e saudável.

 

    Infere-se, portanto, que é necessária a existência do voluntariado para o melhor funcionamento social, mas essa prática deve se tornar frequente e mais efetiva. Dessa forma, é importante que ONGs, em parceria com os centros religiosos e canais midiáticos, promovam campanhas, como a ‘‘Seja um Voluntário” informando como e onde a população deve colaborar. Ademais, o Ministério de Cultura, deveria proporcionar atividades que estimulem as pessoas a se tornarem voluntárias. Por fim, o cidadão deve ser mais ativo no trabalho voluntário e criar mais grupos, como os ‘’Doutores do Riso’.

 


Giovanna Coutinho

Ex-aluna do Gauss - Centro de Estudos
Aprovada em Medicina UFOB

    O desperdício de alimentos no Brasil

    Séculos atrás, o matemático e estudioso Thomas Malthus previra um futuro catastrófico para a humanidade: segundo ele, em pouco tempo, o tamanho da população superaria a produção mundial de alimentos, gerando uma fome generalizada. Nos dias atuais, sabe-se que Malthus exagerou em suas previsões e, de acordo com pesquisas da FAO, o planeta tem plena capacidade de suprir as necessidades alimentares de cada indivíduo. Conquanto, o desperdício de alimentos no mundo impede que esses sejam distribuídos igualmente. Nesse sentido, é importante discutir o quanto a não diversificação dos modais de transporte no Brasil corrobora com o desperdício, além de como a mentalidade consumista do brasileiro faz com que toneladas de alimentos sejam jogadas fora diariamente.


    Durante o governo de Juscelino Kubitschek - cujo slogan era "50 anos em 5" -, a indústria automobilística finalmente instalou-se no país e, com isso, surgiu a necessidade de ampliação de estradas e rodovias a fim de acomodar o novo fluxo de automóveis. Nesse contexto, o Estado investiu de maneira intensa no modal rodoviário, o que, por certo tempo, proporcionou um bom desenvolvimento ao país. Porém, atualmente, o fato de a economia brasileira ser pautada em praticamente um único modal de transporte constitui um grande gargalo no que tange ao escoamento da produção agrícola. Segundo o programa Fome Zero - iniciativa da UNESCO e do Governo Federal -, a maior parte dos alimentos produzidos no país fica nas estradas, o que demonstra a necessidade da implantação de um sistema intermodal de transporte de produção no Brasil.


    A Revolução Verde, ocorrida em meados do século XX, promoveu mudanças de amplo espectro na indústria de produção de alimentos. Embora o nome leve a crer que essa seria uma Revolução capaz de acabar com a fome no mundo, ocorreu justamente o contrário: a indústria finalmente conseguiu atrelar ideais estéticos aos alimentos, tornando-os mais agradáveis aos olhos sem, contudo, torná-los mais acessíveis. No Brasil, reflexos dessa cultura doentia de consumo estão presentes no grande desperdício de alimentos no país, quando um alimento perfeitamente bom vai para o lixo por não estar mais esteticamente bonito. Assim, torna-se claro que a diminuição do desperdício de alimentos no país depende também de uma mudança de mentalidade do brasileiro.


    Infere-se, portanto, que a questão do desperdício de alimentos no país é grave e deve ser mitigada por diferentes agentes. Primeiro, cabe ao Ministério do Desenvolvimento, em parceria com economistas, diminuir o Custo Brasil da produção agrícola, por meio de investimentos na construção de hidrovias e ferrovias que interliguem os polos de produção aos de distribuição, a fim de diminuir ao máximo a perda de alimentos durante o transporte. Segundo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com programas de combate à fome, a criação de uma campanha denominada “Beleza não põe mesa”, que vise conscientizar os cidadãos acerca da importância de não desperdiçar os alimentos por meio de palestras e aulas públicas. Dessa forma, a cultura do desperdício no Brasil será finalmente suprimida.
 

Nota 980 no simulado Gauss

Texto de Danny Moraes - aprovada

em Medicina na UFOB